Calíope (1859)
Escuna de nacionalidade brasileira, Calíope pertencia a José Cerqueira Lima, proprietário de mais de 30 embarcações que realizaram viagens na primeira metade do século XIX entre o porto da Bahia e a África Ocidental. Em 1859, a embarcação, sob o comando de Silvério José Pereira, realizou viagem entre a Bahia e o porto de Aguê, na costa ocidental africana.
A Bahia, um dos principais centros da economia escravista no Brasil, mantinha uma forte demanda por mão de obra cativa, especialmente para as plantations de açúcar. Já o porto de Aguê, situado no Golfo da Guiné, era um ponto estratégico para o embarque de africanos escravizados, funcionando como uma escala importante dentro das rotas que ligavam a África ao Brasil.
Calíope, contudo, foi interceptada pelo brigue britânico Water Witch, sob o comando de Henry J. Watson, como parte da ofensiva da Marinha Real contra o tráfico atlântico. Após sua apreensão, a embarcação foi conduzida a Serra Leoa, um dos principais postos britânicos para a detenção de navios suspeitos de envolvimento no comércio ilegal de escravizados.
O caso da Calíope reflete a resistência de traficantes brasileiros em abandonar essa atividade lucrativa, mesmo diante do aumento da repressão marítima e das sanções impostas pelo Reino Unido contra o Brasil, mesmo após quase uma década da Lei Eusébio de Queirós.