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RIO-AHI-SNEIB-FIM-ROPFJ-Prov-Dpr-Desp_312-1-21_1825-10-05 · Item documental · 05/10/1825
Parte de Escritório de Representação no Rio de Janeiro

A diplomacia no Primeiro Reinado do Brasil (1821-1831) desempenhou um papel crucial na consolidação da independência do país e na definição das relações internacionais. Este período foi marcado por intensas negociações com potências estrangeiras, especialmente a Inglaterra e Portugal, que influenciaram significativamente a trajetória política e econômica da nação recém-independente. Portugal desempenhou um papel central nas relações diplomáticas do Brasil, estabelecendo acordos desiguais que agravam a dependência econômica brasileira em relação à Inglaterra. Os “Tratados Desiguais" de 1810, notadamente o Tratado de Comércio e Navegação, demonstraram a submissão do Brasil aos interesses britânicos, impondo tarifas favoráveis aos produtos ingleses e concedendo privilégios jurídicos especiais aos súditos britânicos. O reconhecimento da independência do Brasil pela comunidade internacional foi um processo complexo, marcado por disputas políticas e interesses divergentes. Enquanto Portugal buscava preservar seus interesses coloniais e manter sua influência sobre o Brasil, os líderes brasileiros, liderados por figuras como José Bonifácio de Andrada e Silva, buscavam estabelecer relações equilibradas e independentes com as potências estrangeiras. A queda de José Bonifácio e a ascensão de Dom Pedro I ao poder marcaram uma mudança na condução da diplomacia brasileira. Sob o comando de Dom Pedro I, o Brasil buscou afirmar sua soberania e buscar o reconhecimento internacional como uma nação independente e soberana. As negociações para o reconhecimento internacional do Brasil enfrentaram várias dificuldades, incluindo questões relacionadas à sucessão do trono português, o pagamento de dívidas contraídas por Portugal durante o processo de independência brasileira e questões de orgulho e vaidade pessoal por parte das autoridades portuguesas. O resultado dessas negociações foi o estabelecimento de relações diplomáticas formais entre o Brasil e as potências estrangeiras, incluindo o reconhecimento oficial da independência brasileira por Portugal em 1829. No entanto, esses acordos muitas vezes impuseram custos significativos ao Brasil, como a abolição da escravidão, refletindo os desafios enfrentados pela diplomacia brasileira em seus primeiros anos de existência. Em resumo, a diplomacia no Primeiro Reinado do Brasil foi caracterizada por uma luta constante para afirmar a independência e soberania do país em meio a uma complexa teia de interesses políticos e econômicos internacionais. Sucessos e dificuldades nesse período moldaram as relações exteriores do Brasil e influenciaram sua posição no cenário internacional em desenvolvimento.
Luiz José de Carvalho e Mello (1764-1826), Visconde de Cachoeira. Nasceu em Salvador, e se formou em Coimbra. Antes da Independência ocupou várias funções jurídicas. Foi juiz de fora da Ponte de Lima em Portugal e desembargador da relação do Rio de Janeiro. Também atuou como deputado da Real Junta do Comércio, desembargador do Paço e deputado da Mesa da Consciência e Ordens em 1808. Disputou a constituinte em 1823 e fez parte do segundo Conselho de Estado, ocupando a pasta do Ministério dos Estrangeiros entre 1823 e 1825. Recebeu o título de Visconde da Cachoeira e foi um dos principais responsáveis pelos processos de reconhecimento da Independência do Brasil por nações estrangeiras como Estados Unidos da América e Portugal. Melo adotou como estratégia diplomática a união das antigas colônias americanas contra os interesses das antigas metrópoles. O reconhecimento de independência pelos Estados Unidos da América foi selado em 31/05/1824. Ainda durante a sua administração Portugal afirmou o termo de reconhecimento da Independência do Brasil em 29/08/1825. O Visconde de Cachoeira foi também responsável por elaborar o estatuto para o curso jurídico na corte e por redigir o projeto da Constituição Brasileira depois de D. Pedro I dissolveu a Assembleia Constituinte em 1823. Em 1826, foi nomeado senador pela província da Bahia, pouco antes de falecer.

Francisco Vilela Barbosa (1769-1846), Visconde e Marquês de Paranaguá
RIO-AHI-SNEIB-FIM-COM-CMis-CMBrGBr-Sta-Rela_L28-M02A_1833-12-07_02 · Item documental · 07/12/1833
Parte de Escritório de Representação no Rio de Janeiro

O Santo Antônio era um patacho de nacionalidade dúbia, brasileira ou portuguesa, de propriedade de Hipólito José Vieira, que também atuava como seu comandante. A embarcação partiu do porto de Gabão, situado na costa ocidental africana, com destino ao Rio de Janeiro, em 1833. O Gabão, durante o início do século XIX, figurava entre os diversos pontos estratégicos do tráfico atlântico de africanos escravizados, especialmente devido à sua localização conveniente na região do Golfo da Guiné, próxima a rotas comerciais estabelecidas entre a África Central e as Américas. Os patachos, por serem embarcações relativamente rápidas e versáteis, eram adequados para viagens de longa distância e capazes de transportar grandes quantidades de carga. Entretanto, a embarcação foi apreendida pela escuna da Esquadra Imperial do Brasil, denominada Lebre, comandada por Eugenio Aprigio da Veiga. A captura por uma embarcação brasileira é significativa à medida das percepções das estratégias brasileiras de repressão ao tráfico atlântico. Durante o período, a esquadra imperial realizava patrulhas eventuais na costa atlântica, particularmente próximo aos principais portos brasileiros, visando cumprir tratados e compromissos estabelecidos com outras potências, bem como salvaguardar interesses políticos e econômicos.

Jose Benedito de Cespes