Aurea (1863)
Sumaca de nacionalidade brasileira, a embarcação Áurea era de propriedade de Dona Anna de Fraga Ribeiro, sendo consignada a Rodrigues Pereira Gomes de Carvalho e seus sobrinhos. Conduzida por José Francisco de Paula, em 1863 zarpou do porto de Vitória, no Espírito Santo, rumo ao Rio de Janeiro, dois importantes portos no contexto do comércio marítimo brasileiro da época.
Isso porque, o porto de Vitória desempenhou um papel importante no contexto do tráfico de escravizados no Brasil, especialmente durante o período em que o tráfico internacional estava proibido, mas continuava a ser realizado de forma ilegal. A cidade se tornou um ponto estratégico de embarque para o tráfico interprovincial, principalmente entre os portos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Embora o tráfico de escravizados tenha sido oficialmente abolido em 1850, o Espírito Santo, devido à sua localização geográfica e ao controle mais fraco das autoridades, ainda era utilizado como uma rota para o transporte clandestino de pessoas escravizadas para o Rio de Janeiro, um dos maiores centros de comércio de escravizados e mão-de-obra no Brasil. O comércio interprovincial, que conectava o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, foi uma das formas que os traficantes encontraram para contornar as restrições legais, mantendo o fluxo de escravizados entre essas regiões, tanto para atender à crescente demanda no Rio de Janeiro quanto para manter o ciclo de exploração que persistia, apesar das pressões internacionais.
Contudo, em meio à viagem, Áurea foi apreendida pelo imponente navio britânico denominado Stromboli, que, na década de 1860, já havia confiscado outras embarcações brasileiras, como o Chaves Primeiro, Trinta e Um de Outubro, Parahyba e Nossa Senhora do Carmo.
A apreensão da embarcação ocorreu entre Cabo Frio e Ponta Negra, na costa fluminense, e o navio foi levado para a enseada de Palmas, onde ficou sob custódia das autoridades britânicas Localizada no município de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, na região sudeste do Brasil, a enseada de Palmas, foi um ponto estratégico para os navios britânicos durante o período de fiscalização das embarcações suspeitas de envolvimento no tráfico de escravizados.