Amizade (1829)
O brigue-escuna, de nacionalidade brasileira denominado Amizade pertencia a Manoel Francisco da Silva e, comandado por Manoel Joaquim dos Santos, saiu do Rio de Janeiro em 1829. Com mais de quarenta tripulantes a bordo, a embarcação tinha como destino final Moçambique, fazendo escalas em importantes portos da costa oriental africana, como Inhambane e Lourenço Marques. No entanto, após uma tempestade, a escuna não conseguiu completar sua jornada comercial. O navio foi apreendido no contexto da luta contra o comércio ilícito de escravizados, em uma ação coordenada pela Comissão Mista Brasil-Britânica. A embarcação continha mais de 300 escravizados a bordo.
A presença de Manoel Francisco da Silva como figura importante no bojo do comércio transatlântico fica evidente quando se observa que outra embarcação de sua propriedade, denominada Trajano, também buscava realizar um trajeto semelhante, partindo do Rio de Janeiro com destino à Quelimane, na mesma região contracosta africana, mais ao norte de Lourenço Marques. Tal indício sugere que o proprietário era um importante negociante nas praças de escravizados e produtos, além de ser parte de uma rede de comércio de alto volume entre o Brasil e as colônias portuguesas na África.
A relação entre o Rio de Janeiro e os portos da África Oriental no período escravista foi crucial para a dinâmica do comércio transatlântico de escravizados e reflete a complexa rede de intercâmbios que envolvia o Brasil e as colônias portuguesas na África.
Os portos da África Oriental, incluindo Moçambique, Quelimane, Inhambane e Lourenço Marques, estavam diretamente envolvidos no tráfico de escravizados, sendo escalas essenciais para os navios que viajavam entre a África e o Brasil. Entre os fins do século XVIII e a primeira metade do século XIX, a chegada de embarcações provenientes da costa moçambicana ao Rio de Janeiro, principal porto escravista das Américas e destino de tal embarcação, tornava-se cada vez mais regular.