Os acervos relativos as legações do Império do Brasil foram custodiados pela Secretaria dos Negócios Estrangeiros (1822-1889), e com a Proclamação da República em 1889 tornaram-se parte do acervo do Ministério das Relações Exteriores onde se encontra atualmente.
Tentadora (1826)
A escuna Tentadora, de bandeira brasileira, partiu da Bahia em novembro de 1826, inserida no cenário de ampla expansão do tráfico atlântico de escravizados durante a primeira metade do século XIX. De propriedade de Luis Antonio do Posso e sob o comando de Inocêncio dos Santos Lopes, a embarcação tinha como destino Molembo, na costa centro-ocidental africana, com escalas previstas pelas Ilhas de São Tomé e Príncipe.
A escolha de Molembo como ponto de desembarque e abastecimento demonstra a centralidade daquela região como entreposto do tráfico no Golfo do Congo. As ilhas de São Tomé e Príncipe, por sua vez, continuavam a desempenhar papel estratégico no apoio logístico das embarcações atlânticas.
Contudo, a embarcação foi apreendida em março de 1827 pela fragata britânica Maidstone, sob comando do experiente oficial Charles Bullen, nome recorrente na repressão ao tráfico atlântico naquele período, que já havia se destacado em outras apreensões, incluindo navios de rotas semelhantes, como o Carlota, Heroína, e Conceição do Paquete do Rio, entre outros. Essas embarcações, como a Tentadora, frequentemente realizavam viagens clandestinas, transportando escravizados de portos africanos para o Brasil, desrespeitando as restrições impostas pela Grã-Bretanha e, posteriormente, pelo Brasil. Após a captura, a embarcação foi enviada à Serra Leoa, um dos principais centros de operação britânica na África Ocidental, destacando as tensões globais da época, marcadas pela pressão britânica para acabar com o comércio transatlântico de escravos e pela resistência de interesses comerciais em regiões como o Brasil e Portugal.