Barca de nacionalidade brasileira, a embarcação denominada Atrevida era propriedade de Jeronimo Pereira Lopes da Silva, posteriormente cedida a Bernardino de Sá, o Barão da Vila Nova do Minho - um influente comerciante e também dono do navio Princeza - e realizava rotas comerciais entre portos brasileiros. Durante a década de 1850, sob o comando do capitão José Antonio Alvarenga, a Atrevida partiu do porto do Rio de Janeiro, tendo como destino a província de Pernambuco. Sua rota entre o Rio de Janeiro e Pernambuco também sugere uma possível conexão com o tráfico interprovincial, prática que se intensificou após a proibição oficial da importação de africanos em 1850. Com a extinção do tráfico transatlântico, comerciantes e proprietários de terras passaram a recorrer ao deslocamento interno de pessoas escravizadas, transferindo-as principalmente das regiões sudeste e norte para as zonas canavieiras do nordeste e as lavouras de café do centro-sul. Pernambuco, sendo um dos principais polos açucareiros do país, figurava como um destino comum nesse comércio forçado de mão de obra cativa. Contudo, em meio a essa viagem, a embarcação foi interceptada pelo vapor britânico SMB Styx, uma unidade da Marinha Real Britânica que atuava no patrulhamento contra o tráfico transatlântico de africanos escravizados. Após a apreensão, a barca foi levada à Ilha de Santa Helena, um território britânico localizado no Atlântico Sul, a aproximadamente 1.950km da costa da África. No século XIX, a Ilha desempenhou um papel relevante na repressão ao tráfico transatlântico de escravizados, funcionando como um centro de detenção para navios suspeitos de envolvimento no comércio ilegal. Assim, a posição isolada da ilha e sua importância como entreposto naval fizeram dela um ponto estratégico no contexto das políticas britânicas de controle marítimo e combate ao tráfico. A captura da Atrevida insere-se no contexto da crescente pressão internacional sobre o Império do Brasil para erradicar o tráfico de africanos escravizados, intensificada após a década de 1850, com a Lei Eusébio de Queiroz.
Antonio de Souza Ribeiro
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RIO-AHI-SNEIB-FIM-COM-CMis-CMBrGBr-Atr-Peti_L2-M3_1860-03-09_30
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Item documental
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09/03/1860
Parte de Escritório de Representação no Rio de Janeiro