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RIO-AHI-SNEIB-FIM-COM-CMis-CMBrGBr-Rsl-Peti_L28-M02_1828-07-28 · Item documental · 28/07/1828
Parte de Escritório de Representação no Rio de Janeiro

A Terceira Rosália era uma escuna de bandeira brasileira, pertencente aos herdeiros de Manoel Francisco Moreira. A embarcação partiu da Bahia em 11 de fevereiro de 1828, sob o comando de Manoel Pereira Sarmento, com destino ao porto de Cabinda, na costa centro-ocidental da África, uma das mais recorrentes nas articulações comerciais e no tráfico de africanos escravizados ao longo do Atlântico Sul no início do século XIX. A escuna foi capturada em abril de 1828 pela fragata britânica North Star, comandada por Septimius Arabin. A apreensão ocorreu no contexto da atuação da Marinha Real Britânica no combate ao tráfico atlântico, intensificada a partir das primeiras décadas do século XIX, com base em tratados bilaterais firmados entre o Reino Unido e o Império do Brasil. Em 1828, o tráfico de africanos escravizados ainda era legal sob a legislação brasileira, mas já sofria crescente oposição por parte das autoridades britânicas, que promoviam patrulhamento naval e capturas de navios envolvidos nessas rotas. A atuação da North Star insere-se nessa política de vigilância e repressão, que visava desarticular as conexões comerciais entre portos brasileiros e regiões da costa africana como Cabinda, reconhecidamente um dos principais pontos de embarque de cativos nesse período. A captura da embarcação, portanto, não se deu em um contexto de ilegalidade formal, mas sim como parte da estratégia britânica de antecipar e forçar o fim do tráfico, aplicando medidas de coerção mesmo diante da ambiguidade legal. A partir de tais ações, a repressão ao tráfico deixaria de ser apenas um tema de tratados diplomáticos para tornar-se um processo concreto, marcado por abordagens, bloqueios e capturas, que se intensificariam ao longo das décadas seguintes até culminar, no caso brasileiro, na promulgação da Lei de 1831 e, mais tarde, da Lei Eusébio de Queirós em 1850.

Bernardino Luis C.