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RIO-AHI-SNEIB-FIM-COM-CMis-CMBrGBr-Nml-Depo_L24-M3_1851-08-02 · Item documental · 02/08/1851
Parte de Escritório de Representação no Rio de Janeiro

Brigue-escuna de nacionalidade brasileira, pertencente a João da Costa Melo. A embarcação estava sob o comando de Antonio Domingos Alves e partiu do porto do Rio de Janeiro com destino a Santa Catarina, uma rota comum para o comércio interprovincial no Brasil durante a segunda metade do século XIX. A navegação entre esses portos fazia parte de uma extensa rede comercial. Santa Catarina, assim como outras províncias do sul do Brasil, era um ponto de interesse estratégico para a redistribuição de africanos recém-chegados, além de fornecer produtos como charque e madeira para mercados do Sudeste. A embarcação foi apreendida pelo vapor britânico Locust, sob comando de R.L. Curtis, e encaminhada para a Ilha de Santa Helena. Locust já havia atuado em diversas operações de patrulha contra o tráfico no Atlântico Sul, como na apreensão das embarcações Triuhpho e Calíope, por exemplo, reforçando a presença britânica na repressão ao comércio ilegal de africanos escravizados. Localizada a cerca de 1.950 km da costa africana, a Ilha de Santa Helena desempenhou um papel relevante na estrutura de repressão montada pelo Império Britânico, funcionando como entreposto naval e ponto de apoio logístico para ações de patrulhamento no Atlântico Sul. A escolha da ilha como destino da embarcação apreendida evidencia a sistematicidade das operações britânicas e o uso de territórios ultramarinos como base de sustentação das políticas de controle marítimo.

Augusto Galdino de Souza.