Continente (1835)
José Francisco Dutra, proprietário e comandante do Patacho Continente, zarpou da Bahia no em 1835 com destino a diversos portos brasileiros, incluindo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Por ser um patacho, a embarcação era pequena e ágil, apropriada para a navegação costeira e o transporte de mercadorias e passageiros entre as províncias do Império. Sua rota incluía escalas pelos portos do Sul, uma região que, à época, estava inserida em importantes circuitos comerciais e de abastecimento interno.
O período em que o Continente navegava era marcado por turbulências políticas e esforços do governo imperial para afirmar sua autoridade sobre o território brasileiro. A década de 1830 foi um momento de instabilidade, com revoltas regionais e disputas pelo controle da navegação e do comércio. Dentro desse contexto, o patrulhamento das águas nacionais tornou-se uma preocupação crescente, com a intensificação da fiscalização realizada pela Marinha Brasileira.
Durante o século XIX, o tráfico transatlântico de escravizados foi formalmente proibido no Brasil, sobretudo após o Tratado de 1826 com a Inglaterra. Apesar disso, tanto o comércio internacional quanto o tráfico interprovincial continuaram de forma clandestina, alimentados pela crescente demanda por mão de obra nas plantations brasileiras.
Nesse ínterim, o Patacho Continente foi apreendido pelo brigue-escuna Dous de Março, uma embarcação da Esquadra Imperial do Brasil sob o comando do Tenente Manoel Francisco da Costa Pereira. A interceptação ocorreu na Ilha de São Sebastião, um ponto estratégico no litoral paulista, conhecido por ser uma rota de passagem para navios que navegavam entre o Sul e o Sudeste. Por meio da interceptação, foram emancipados sessenta escravizados.