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RIO-AHI-SNEIB-FIM-COM-CMis-CMBrGBr-Cnt-Avis_L8-M6_1835-07-14 · Item documental · 14/07/1835
Parte de Escritório de Representação no Rio de Janeiro

Continente (1835)

José Francisco Dutra, proprietário e comandante do Patacho Continente, zarpou da Bahia no em 1835 com destino a diversos portos brasileiros, incluindo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Por ser um patacho, a embarcação era pequena e ágil, apropriada para a navegação costeira e o transporte de mercadorias e passageiros entre as províncias do Império. Sua rota incluía escalas pelos portos do Sul, uma região que, à época, estava inserida em importantes circuitos comerciais e de abastecimento interno.
O período em que o Continente navegava era marcado por turbulências políticas e esforços do governo imperial para afirmar sua autoridade sobre o território brasileiro. A década de 1830 foi um momento de instabilidade, com revoltas regionais e disputas pelo controle da navegação e do comércio. Dentro desse contexto, o patrulhamento das águas nacionais tornou-se uma preocupação crescente, com a intensificação da fiscalização realizada pela Marinha Brasileira.
Durante o século XIX, o tráfico transatlântico de escravizados foi formalmente proibido no Brasil, sobretudo após o Tratado de 1826 com a Inglaterra. Apesar disso, tanto o comércio internacional quanto o tráfico interprovincial continuaram de forma clandestina, alimentados pela crescente demanda por mão de obra nas plantations brasileiras.
Nesse ínterim, o Patacho Continente foi apreendido pelo brigue-escuna Dous de Março, uma embarcação da Esquadra Imperial do Brasil sob o comando do Tenente Manoel Francisco da Costa Pereira. A interceptação ocorreu na Ilha de São Sebastião, um ponto estratégico no litoral paulista, conhecido por ser uma rota de passagem para navios que navegavam entre o Sul e o Sudeste. Por meio da interceptação, foram emancipados sessenta escravizados.

Sr. Carneiro
RIO-AHI-SNEIB-FIM-COM-CMis-CMBrGBr-Ctr-Rela_L06-M01_1841-08-17 · Item documental · 17/08/1841
Parte de Escritório de Representação no Rio de Janeiro

Castro (1841)
Patacho brasileiro denominado Castro, pertencia a Manoel Caetano de Castro. Sob o comando de Francisco Alvares Pimenta, a embarcação partiu do Rio de Janeiro com destino a Caravelas, uma cidade portuária no sul da Bahia que, à época, funcionava como ponto estratégico para atividades comerciais e, em alguns casos, para o desembarque clandestino de africanos escravizados. A costa brasileira, especialmente em áreas menos fiscalizadas como Caravelas, era utilizada por traficantes que buscavam evitar a vigilância das patrulhas britânicas e das autoridades imperiais.
No entanto, em um período em que a repressão ao tráfico transatlântico de africanos escravizados se tornava cada vez mais intensa, em novembro de 1841, Castro foi apreendido pelo navio de guerra britânico Grecian, sob o comando de William Smyth, um oficial experiente na repressão ao tráfico negreiro. Smyth já havia capturado outras embarcações brasileiras suspeitas de envolvimento com o tráfico, como o Alexandre, o Ganges e o Recuperador, todas interceptadas na década de 1840, quando a pressão britânica sobre o Brasil se intensificava. Após a apreensão, o Castro foi conduzido à Comissão Mista do Rio de Janeiro, criada em 1827, como parte do acordo entre o Brasil e o Reino Unido para combater o tráfico transatlântico de africanos escravizados
O caso do patacho Castro ilustra o tráfico interprovincial no Brasil no contexto da década de 1840, em que embarcações brasileiras realizavam o transporte de africanos escravizados entre diferentes regiões do país, muitas vezes contornando a fiscalização externa e interna. Partindo do Rio de Janeiro com destino a Caravelas, no sul da Bahia, o Castro fazia parte de uma rede de comércio interno que movimentava cativos para áreas de intensa necessidade de mão de obra escravizada, como as plantações de açúcar e as minas. Apesar da proibição do tráfico transatlântico desde 1826, o tráfico interprovincial floresceu, com traficantes utilizando rotas clandestinas, muitas vezes em pequenos portos como Caravelas, para evitar o controle das autoridades e das patrulhas britânicas.

Roberto A.